Tratamento e cuidado para a Hidrocefalia de Pressão Normal
A condição é mais comum em idosos e traz como principais características a instabilidade para andar e demência.
Os sintomas podem ser confundidos com os de doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer. Por isso, o diagnóstico e tratamento assertivos fazem toda a diferença na recuperação da qualidade de vida do paciente.
O que é Hidrocefalia de Pressão Normal?
A hidrocefalia de pressão normal (HPN) é uma condição neurológica caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano nos ventrículos cerebrais, sem aumento significativo da pressão intracraniana.
Diferentemente de outras formas de hidrocefalia, a HPN afeta principalmente pessoas acima dos 60 anos e representa uma das causas tratáveis de demência.
A doença resulta de problemas na circulação e absorção do líquor, podendo ser idiopática, ou seja, sem uma causa definida prévia ou secundária a traumas, hemorragias ou infecções.
Como diferenciar de outros tipos de Hidrocefalia?
A Hidrocefalia de Pressão Normal difere das demais pelo perfil de pacientes (idosos), pela pressão intracraniana que permanece normal e pela progressão gradual dos sintomas.
Na hidrocefalia clássica, comum em bebês e crianças, há aumento evidente da pressão intracraniana, crescimento acelerado do perímetro cefálico (da cabeça) e sintomas agudos.
A HPN apresenta dilatação ventricular desproporcional à atrofia cerebral esperada pelo envelhecimento, característica que pode ser vista em exames de imagem como ressonância magnética e tomografia.
Sintomas mais comuns
Os sintomas clássicos que formam a tríade característica da HPN:
- Alteração da marcha (passos curtos, instabilidade, sensação de pés grudados no chão);
- Incontinência ou urgência urinária;
- Declínio cognitivo progressivo (perda de memória, dificuldade de concentração, lentidão de raciocínio).
Outros sinais da HPN incluem:
- Desorientação
- Apatia
- Mudanças de personalidade
- Dificuldade para realizar tarefas cotidianas
É importante lembrar que a demência pode não se desenvolver nos estágios iniciais, sendo a alteração da marcha frequentemente o primeiro sinal evidente da doença.
Confusão com outras doenças
A HPN é frequentemente confundida com Alzheimer, Parkinson e Demência Vascular devido à similaridade dos sintomas cognitivos e motores. Muitos pacientes recebem diagnósticos equivocados de demência senil ou distúrbios parkinsonianos, retardando o tratamento adequado.
Diferentemente dessas condições neurodegenerativas irreversíveis, a Hidrocefalia de Pressão Normal é uma demência potencialmente reversível quando diagnosticada e tratada precocemente.
Sinais como cefaleia intensa, náuseas, perda visual e papiledema não fazem parte do espectro clínico da HPN.


Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico combina avaliação clínica detalhada, entrevista com familiares, exames neurológicos e de imagem cerebral.
- Ressonância magnética e tomografia computadorizada revelam dilatação ventricular desproporcional à atrofia cortical.
- Punção lombar com medida da pressão de abertura do líquor, confirmando que a pressão está normal, diferenciando da hidrocefalia clássica.
- Testes neuropsicológicos avaliam função cognitiva, memória e atenção.
- Avaliações fisioterapêuticas analisam marcha e equilíbrio para estabelecer parâmetros objetivos de comprometimento motor.
O que é o tap test?
O Tap Test (teste de punção lombar) é o exame crucial para confirmar o diagnóstico de HPN e prever resposta ao tratamento cirúrgico. O procedimento envolve avaliação inicial da marcha, cognição e controle urinário, seguido por punção lombar com retirada de 30 a 50 ml de líquor.
Após uma a duas horas, o paciente é reavaliado com os mesmos testes. Melhora significativa na marcha, função cognitiva ou continência indica alta probabilidade de benefício com a cirurgia de derivação ventriculoperitoneal.
Conheça o procedimento cirúrgico
Cirurgia: Derivação ventrículo-peritoneal
O tratamento definitivo para HPN é a cirurgia de derivação ventrículo-peritoneal, procedimento que drena o excesso de líquor dos ventrículos cerebrais para a cavidade abdominal.
A técnica envolve o implante de um cateter fino no ventrículo cerebral, conectado a uma válvula reguladora de pressão posicionada sob a pele. Da válvula, outro cateter é conduzido subcutaneamente, ou seja, sob a pele, até o peritônio (abdome), onde o líquor é reabsorvido naturalmente.
A cirurgia é rápida (aproximadamente 1 hora), minimamente invasiva e realizada sob anestesia geral.
Como é realizada a cirurgia?
A DVP é feita através de três pequenas incisões: uma na região frontal para inserção do cateter ventricular, outra atrás da orelha (para inserção da válvula) e outra na região abdominal para posicionamento do cateter peritoneal.


Todo o sistema fica completamente oculto sob a pele. O procedimento requer internação de 24 horas para antibioticoterapia profilática, sem necessidade de UTI na maioria dos casos.
A recuperação é rápida, e pacientes frequentemente apresentam melhora da marcha e da continência urinária nas primeiras semanas, com benefícios cognitivos variáveis conforme gravidade pré-operatória.
Como faço para saber se esse é o meu caso?
Converse com nossos médicos e descubra a melhor recomendação para o seu caso.
Equipe médica
A equipe médica do Instituto de Hidrocefalia de Pressão Normal é coordenada pelo Dr. Fernando Gomes, neurocirurgião experiente e altamente especializado e reúne profissionais com longa exposição ao cuidado de pessoas idosas acometidas por essa condição.

Coordenador do Instituto de HPN
Dr. Fernando Gomes (CRM/SP 90.797)
(S.C.)
Comece por aqui